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Agilidade no trâmite para a permanência de Battisti no país contrasta com a demora em casos comuns

terça-feira, 28 de junho de 2011

28/06/2011 - 07h00 / Atualizada 28/06/2011 - 08h35

Andréia Martins
Do UOL Notícias
Em São Paulo

No último dia 22, o italiano Cesare Battisti e 237 haitianos receberam a autorização de permanência por tempo indeterminado para ficar no país. Ambos os casos foram julgados pelos 24 membros do Conselho Nacional de Imigração (CNIg), que representam diferentes setores da sociedade e também alguns ministérios. Battisti obteve a autorização após 13 dias da solicitação.

A autorização não equivale a um visto de permanência, mas levou muita gente a questionar e comparar a rapidez com que foi concedida, já que imigrantes comuns chegam a esperar meses e até anos para obter o visto de permanência pelo Ministério das Relações Exteriores.

O caso de Cesare Battisti e de imigrantes do Haiti, como Rene Pierre, Jean Macdony Ermilus e Joscely Jeune (foto), chamou a atenção pela rapidez

O caso de Cesare Battisti e de imigrantes do Haiti, como Rene Pierre, Jean Macdony Ermilus e Joscely Jeune (foto), chamou a atenção pela rapidez

No caso de Battisti, a solicitação de permanência ao Ministério do Trabalho havia sido apresentada pelos advogados do ex-ativista em 9 de junho, um dia depois que o italiano deixou a cadeia na qual estava preso desde 2007 em Brasília.

Segundo a assessoria do CNIg, no entanto, não houve favorecimento e é preciso diferenciar os casos.

“A autorização concedida aos haitianos e a Battisti não é um visto de trabalho ou de permanência. Aqui são julgados apenas casos omissos, situações especiais que não constam nas regras de imigração”, disse a assessoria do órgão ao UOL Notícias.

Esses casos diferem daqueles em que estrangeiros vêm ao Brasil com o objetivo de fazer turismo, trabalhar, estudar ou até mesmo se casar com um(a) brasileiro(a), situações previstas na lei e que representam a maioria dos pedidos, segundo o CNIg.

Se no caso dos haitianos, que vieram para o Brasil em consequência do terremoto que atingiu o país em 2010, pesou a questão humanitária, o pedido de autorização para Battisti foi julgado baseado no argumento dos advogados do italiano --de que ele correria risco se voltasse para a Itália.

De acordo com registros do CNIg, o fluxo migratório do Haiti para o Brasil vem se mostrando estável, com cerca de 200 haitianos desembarcando no país por mês. A maioria é homem, com idade entre 20 e 30 anos e ensino médio incompleto. Os pedidos são encaminhados pelo Conare (Comitê Nacional para os Refugiados) ao CNIg, já que eles não se enquadram na condição de refugiados, por não serem perseguidos em seu país de origem. Após a autorização de permanência pelo conselho, a Polícia Federal concede o visto de residência.

A rapidez com que os casos dos haitianos, e também o de Battisti, foram julgados tem explicação. Segundo a assessoria do CNIg, as reuniões do conselho já estão marcadas até o final do ano e os casos são julgados sempre nos próximos encontros. No caso dos haitianos e de Battisti, os pedidos de autorização foram requeridos no início de junho, e a próxima reunião já estava agendada para o dia 22.

Cesare Battisti: cronologia do caso

Foto 8 de 19 - O ex-ativista da extrema esquerda italiana Cesare Battisti durante entrevista à revista IstoÉ, no presídio da Papuda, em Brasília, no dia 28 de janeiro de 2009 Mais Roberto Castro/Agência IstoÉ

Visto de permanência para imigrantes pode levar até dois anos

Fora dessas circunstâncias especiais, o visto permanente para ficar no Brasil pode levar meses e até anos para ser liberado. No caso do italiano Massimiliano Galise foi preciso esperar dois anos para finalmente conseguir o seu visto permanente no Brasil.

Ao chegar ao país em 2006, ele se casou com uma brasileira e, com isso, conseguiu apenas um visto de permanência vinculado. “Até que nascesse a minha filha, meu visto era apenas vinculado. Se caso eu me separasse, eles poderiam retirar meu visto a qualquer momento”, disse Galise ao UOL Notícias.

Segundo o italiano, o processo para conseguir o visto permanente foi longo. Ele deu entrada no pedido em outubro de 2006, quando recebeu um documento com número de protocolo do RNE (registro nacional de estrangeiros) provisório. Apenas em setembro de 2008, ele recebeu o visto de permanência oficial.

“Solicitaram muitos documentos. Em uma lista que a Receita Federal me deu, com a papelada necessária, faltava um documento, uma certidão da justiça italiana assegurando que eu não tinha problemas judiciais. Como não estava na lista e eu não tinha providenciado, atrasou ainda mais”, diz ele.

Além dos documentos, a Polícia Federal fez visitas à casa do casal, viu fotos, certidão e convites de casamento, entre outros. Tudo para comprovar o casamento. Galise diz entender que tudo isso faz parte da segurança do país, mas reclama da longa espera de quem já está estabelecido e com emprego.

“No meu caso, não queria vir ao Brasil para ficar numa boa. Estava trabalhando, casado, pagando impostos e meu visto não saía”, disse ele, que cita o caso de um amigo, um imigrante alemão, que se casou no Brasil mas mudou de casa, e não avisou a Polícia Federal. "Como ele não tinha fotos do casal na casa e ela não estava totalmente ocupada, sendo que ele já havia entregue os documentos para obter visto, a PF rejeitou o pedido e ele precisou começar de novo", relembra o italiano.

Ainda segundo ele, não foi dado um prazo específico para a oficialização. “Me disseram para consultar o Diário Oficial depois de seis meses do pedido, pois a partir daí meu registro seria publicado. Fiquei acompanhando o Diário todos os dias até sair meu visto”, finaliza Galise.

Ricardo Moraes/Reuters

Battisti deixa a prisão em Brasília, no início de junho. Com a autorização de permanência no Brasil, ele poderá viver e trabalhar como um imigrante legal por tempo indeterminado

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/internacional/2011/06/28/agilidade-no-tramite-para-a-permanencia-de-battisti-no-pais-contrasta-com-a-demora-em-casos-comuns.jhtm



Primeiro casamento civil gay do Brasil acontece hoje em Jacareí (SP)

28/06/2011 - 06h30

Rodrigo Machado
Especial para o UOL Notícias
Em São José dos Campos (SP)

O comerciante Luiz André Rezende Moresi e o cabeleireiro José Sergio Sousa vão registrar o primeiro casamento civil gay do Brasil

O comerciante Luiz André Rezende Moresi e o cabeleireiro José Sergio Sousa vão registrar o primeiro casamento civil gay do Brasil

Pela primeira vez no Brasil um casal de homossexuais trocará alianças. A cerimônia inédita está programada para acontecer às 10h30 desta terça-feira (28), no 1º Cartório de Registro Civil de Jacareí (a 83 km de São Paulo), onde será assinada e entregue a primeira certidão de casamento civil emitida no país a um casal homossexual.

Na ocasião, o comerciante Luiz André Rezende Moresi, 36, e o cabeleireiro José Sergio Sousa, 29, serão oficialmente declarados casados e constituídos em uma nova família. Convidados, familiares e amigos ligados a ONG Revida, organização não governamental da luta contra a homofobia e responsável por organizar a Parada do Orgulho Gay de Jacareí, a qual o casal comanda e trabalha, devem marcar presença em frente ao cartório para comemorar a conquista dos noivos.

“Não vamos fazer nenhuma recepção, mas vamos festejar no cartório após recebermos o documento e estamos pensando em almoçar em algum restaurante, uma programação básica. Mas vamos celebrar quando completarmos 10 anos de união com uma superfesta”, disse Luiz André.

Agora, o casal terá a certidão de casamento com adoção de sobrenome de ambos e mudança do estado civil de solteiros para casados. O primeiro casamento gay do Brasil ocorre depois de quase dois meses depois de o STF (Superior Tribunal Federal) ter reconhecido a união estável entre casais do mesmo sexo e na data em que é comemorado o Dia Mundial do Orgulho LGBT.

Autorização

A conversão para casamento civil foi autorizada pelo juiz da 2ª Vara da Família de Jacareí, Fernando Henrique Pinto, baseada no artigo 226 da Constituição Federal, que autoriza a mudança de união estável em casamento, medida que agora também pode ser aplicada após o STF ter equiparado a união estável homossexual a uma entidade familiar, passando a ter os mesmos direitos que um casal heterossexual. O Ministério Público também deu o parecer favorável.

O casal registrou a união estável no dia 17 de maio, um dia depois de o STF ter reconhecido os mesmos direitos dos casais heterossexuais e 14 dias após darem entrada no pedido de conversão no cartório de registro civil.

A DECISÃO

  • Reprodução

“Um oficial registrou o pedido em um jornal, encaminhamos para um promotor de cidadania e posteriormente para um juiz da Vara da Família, que deu a sentença favorável. Estou muito feliz com esta decisão, pois fizemos o mesmo caminho que todo casal heterossexual faz quando recorre à Justiça. O trâmite foi normal, como o de um casal quando quer oficializar a união”, disse Luiz André.

Juntos em uma relação que já tem oito anos, Luiz André conheceu José Sergio em uma festa na casa de um amigo em Jacareí. Na ocasião, a paixão foi à primeira vista, segundo o comerciante, que lembra que o sentimento foi recíproco.

“Gostamos um do outro de imediato e começamos a namorar. Em um mês de relação ele (Sergio) veio morar comigo. Formamos um casal tranquilo e buscamos a felicidade como qualquer outro ser humano. Atualmente o pai dele, que está adoecido, e uma irmã moram conosco. Eles fazem parte da nossa família. Agora somos a família ‘Sousa Moresi’.”

Planos
Está nos planos do casal o sonho de comprar uma casa própria. Luiz André conta que já pensa juntar a sua fonte de renda com a fonte do seu marido para comprar uma casa e compartilhar o plano de saúde.

“Temos os mesmos direitos. Agora vamos juntar nossas rendas para comprar uma casa. O reconhecimento do nosso casamento foi nossa primeira conquista, virão outras. Mas o mais importante é que servimos de exemplos para outros casais vivendo a mesma situação. Nossa vitória é dedicada a todos os militantes da causa gay.”

Para o seu marido, José Sergio, a decisão do juiz contribui para diminuir o preconceito da sociedade, mas ainda é preciso que o governo federal invista mais em campanhas educativas, criminalize a homofobia e combata a violência gerada pelo preconceito. “É uma decisão democrática e que respeita o ser humano”, disse.

A advogada de direito homoafetivo e autora do “Manual Prático dos Direitos de Homossexuais e Transexuais”, Sylvia Maria Mendonça do Amaral, destaca que o texto do juiz menciona princípios constitucionais, em especial o direito à igualdade e a proibição de discriminação quanto ao sexo. “Nosso país entrará para o seleto grupo de nações que autorizam o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.”

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/06/28/primeiro-casamento-civil-gay-do-brasil-acontece-hoje-em-jacarei-sp.jhtm

Violência contra mulher vira tema de grafites de grupo feminista na Grande São Paulo

publicado em 28/06/2011 às 05h57


Na zona oeste da capital, Grif Maçãs Podres fez mural com nomes de Mércia e Eliza

Do R7*
muralbarragundaDaia Oliver/ R7
Veja outras fotos de murais do grupo

Grafite feito por grupo feminista Grif Maçãs Podres no muro da CPTM, próximo à praça Comandante Rafael Delgado Sozinho, na Barra Funda, zona oeste de São Paulo


Quem passa pela praça Comandante Rafael Delgado Sobrinho, próxima à estação Barra Funda, na zona oeste da capital paulista, provavelmente já se deparou com o muro da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) em que um enorme grafite contém o nome de mulheres que foram vítimas em alguns casos de ampla repercussão na imprensa: Mércia Nakashima, Sandra Gomide, Eloá Pimental, Eliza Samúdio. O que muita gente não sabe é que, ao invés de um protesto isolado, o desenho faz parte de um trabalho igualmente amplo de um grupo de “grafiteiras feministas”.

Veja mais fotos do Grif Maçãs Podres

Criado pelo Grif (Grupo Revolucionário de Integração Feminina) Maçãs Podres, o grafite faz parte do projeto chamado Arte pelo Enfrentamento da Violência Contra Mulheres, coordenado por Valéria Melki Busin da ONG Católicas pelo Direito de Decidir. Ana Clara Marques é integrante do grupo, junto com Patrick Monteiro e Fernanda Sunega.

- A ideia [inicial] era de que devíamos organizar dois murais: um com a temática “mulheres pelo fim da violência”, e um segundo, “homens pelo fim da violência”, onde cada artista teria que desenvolver grafites que abordassem a luta contra a violência sofrida pelas mulheres.

Segundo Ana, o painel da Barra Funda, feito por um total de oito artistas, foi concebido “por mulheres grafiteiras” como parte da campanha mundial “16 dias de Ativismo” pelo fim da violência contras as mulheres. Mas o grafite na zona oeste é apenas "um" dentro de um conjunto de obras das artista que decoram muros em vários pontos da Grande São Paulo.

Zona leste e ABC

Na estação da CPTM de Santo André, no ABC, foi feito o mural “homens pelo fim da violência”. Em São Miguel Paulista, na zona leste da capital, três trabalhos protestam contra o fato de o principal suspeito do assassinato de Mércia Nakashima, Mizael Bispo, ainda estar foragido.

- Nossa intenção é tornar visível o que geralmente é esquecido pelo grande público já que são tantas as mulheres mortas todos os dias no Brasil. Tentamos utilizar a linguagem artística como forma de manifestação social e conscientização, principalmente devido ao fato de as crianças responderem muito bem a este tipo de intervenção.

Em relação aos casos dos assassinatos como o de Mércia Nakashima e de todos os outros nomes inscritos no mural, o grupo tem uma opinião bem formada. Para o Grif Maçãs Podres, esses crimes são a prova viva de uma sociedade machista.

- Através do grafite, de alguma forma, nós nos posicionamos, denunciamos e reivindicamos a Justiça de um modo que, muitas vezes, a sociedade brasileira deseja que se atinja no país. A arte de rua é um instrumento capaz de sensibilizar as pessoas, independente da classe social, da raça, do gênero ou da religião. Temos que, de algum modo, dialogar também com os homens, pois a relação de violência está inserida na incapacidade masculina de lidar com as emoções de perda, e assim, nada é mais condizente do que usar a arte feminista para expressar nossas opiniões.

*Colaborou Rodson Baldan, estagiário do R7

http://noticias.r7.com/sao-paulo/noticias/violencia-contra-mulher-vira-tema-de-grafites-de-grupo-feminista-na-grande-sao-paulo-20150608.html