Pensamento do dia:

"Quem não te procura, não sente sua falta. Quem não sente sua falta, não te ama. O destino determina quem entra na sua vida, mas você decide quem fica nela. A verdade dói só uma vez. A mentira cada vez que você lembra. Então, valorize quem valoriza você e não trate como prioridade quem te trata como opção."

Civismo: sentimento e atitude

domingo, 13 de fevereiro de 2011


Com o perdão da má figura de linguagem, o silêncio de nosso povo tem ferido, constantemente, meus ouvidos. Isso gera um questionamento sobre coisas que andam me incomodando. Tenho me perguntado, com certa freqüência, em que ponto da história o brio dos brasileiros se perdeu? O orgulho nacionalista e a sensação de liberdade de idéias e atos...isso foi perdido ou apenas adormecido? Num sono profundo, alimentado por silêncios, omissões, anuências e, por fim, submissão.

É sabido que o povo brasileiro nunca foi passivo. Temos exemplos de grandes revoltas ao longo da história. Há fatos que não ficam nada a dever em grandeza, demostração de orgulho, coragem e patriotismo (e até loucuras e audácias beirando o épico) a qualquer outra nação. Como um povo, capaz de escrever os capitulos grandiosos e sangrentos da Revolução Farroupilha, a triste grandeza da traição e solitária morte de nosso mártir maior, Tiradentes, um dos lideres da inconfidência mineira, o messianismo popular da guerra dos Canudos, as revoltas pela independência em Pernambuco, Pará e Bahia que culminaram com a independência do Brasil, enfim, são tantos exemplos.... Então, por que num momento em que nos vemos extorquidos por impostos abusivos e não explicados, vítimas do descaso pela dor comum das grandes tragédias e, ainda, cerceados no nosso direito fundamental, que é a liberdade, o silêncio ainda persiste? Uma indagação que fica no ar e se torna inquietantemente pesada.

Ouso teorizar a respeito, lembrando do período de ditadura militar, onde as vozes foram caladas pela força e a opressão dos grilhões da censura. Ainda assim, havia nos olhos e nas atitudes, um respeito pelos símbolos e uma noção, mesmo que básica, de civismo.
Após 24 anos de governo, os militares iniciaram o que se chamou de “abertura política”: um processo a médio prazo, que incluiu a anistia de exilados políticos e a criação de múltiplos partidos de oposição, a maioria com tendências esquerdistas.
Enfim, quando a ditadura militar chegou ao seu final, houve um processo de negação de tudo que pudesse lembrá-la, pois o que se queria era respirar a liberdade. Liberdade de ter novamente um governo civil e, de voltar a escolher, diretamente, pelo voto, os governantes.

Mas, tudo sempre tem dois lados. Apesar de não ser bom nenhum tipo de governo imposto pela força, o ensino do civismo que havia nas escolas era uma coisa positiva, mas foi abolido de forma veemente por remeter direto à lembrança do governo militar. Em contraponto, a liberdade era a palavra de ordem. Depois de tantos anos de censura, era compreensível. Mas, erroneamente, o conceito de país livre, povo livre, passou a ser associado aos movimentos esquerdistas. Tudo que se opunha ao regime ditatorial era moderno e revolucionário.
Todo extremo, toda situação limite, passa a ser algo preocupante e perigoso. Associar liberdade a governos esquerdistas é um extremo. Toda esquerda é totalitária e radical e não menos opressiva que uma ditadura militar direitista.

Nos vemos, hoje, em um governo pseudotrabalhista, onde as elites se beneficiam, a corrupção corre solta e a imunidade parlamentar e a impunidade são estrelas de escândalos e CPI’s sem fim...
E, onde está aquele herói revolucionário, disposto a tudo pela liberdade e a justiça para o seu país e seu povo?
Acredito que ele está dentro de cada um de nós, que não nos conformamos com os desmandos e o descaso a que somos submetidos.
É preciso união e organização de idéias semelhantes por um bem, um objetivo comum. Unidos e bem fundamentados podemos mudar as regras desse jogo. A força está no povo. Nós temos o poder.


**Agradeço a colaboração e o apoio inestimáveis do amigo Decicote, sem os quais, esse texto não teria sido produzido.

9 comentários:

  1. Marcos Pontes disse...:

    Assim que eu gosto! Excelente testo. Ao se buscar a história para exemplificar o que se passa é um grande caminho. Cansei de discutir com quem ache que vai ser assim ou assado, sem conhecer como foi antes.
    O fim do ensino de moral e civismo foi apenas um pequeno passo para se negar tudo o que já estava estabelecido e abrir as portas para o que as esquerdas nos preparavam.
    Patriotismo, para idiotas sem poder de análise capitaneados pelo ex-presidente, resume-se à camisa da seleção de futebol. Se perguntar a letra do Hino Nacional, meia dúzia, entre centenas, saberá sem cometer erro. Amanhá faça o teste e pergunte a dez pessoas o nome do atual vice-presidente. Se mais de quatro acertarem, te pago um doce.

  1. Ajuricaba disse...:

    Tutaméia. Por que você demorou tanto a nos brindar com esses artigos?

  1. Velvet Poison disse...:

    Não há liberdade de fora para dentro. Esse é um valor que nós, povo brasileiro, não cultivamos na mente. Quando entendermos o que é o conceito de liberdade, poderemos, aí sim, em nome do civismo, defendê-lo. Até lá, só vamos teorizar.

    Belíssimo texto, Sonia!

  1. Carla Pola disse...:

    Querida So!

    Coloque aí 30 anos de educação a la Paulo Freire gramcista! mentiras e politicagem oportunista, aí está a receita para esse marasmo político que você sente!

    Beijocas

  1. ed-ziliani disse...:

    O atual partido no governo, incumbiu-se, com êxito de minar toda coragem, civismo e brio do povo. A todos comprou, de uma forma ou outra.Somos, atualmente um povo sem fibra que nem sabe fazer política, quanto mais revoluções.Em vez de mostrar os desmandos e erros crassos do governo, preocupam-se em criticar e dar matéria para os que recebem benesses governamentais.É muito a situação política do país, hoje.O Congresso eleito é a síntese do que há de pior no país.Quem os pôs lá? O mesmo povo que sofrerá por esse descaso no voto.Educação péssima e caminhando para o pior.Valores massacrados.Há que ter um grupo q levante a bandeira da Ordem e do Progresso. Bjs. Excelente texto. Opcao_zili.

  1. O homem (como ser humano), a rigor, não nasce livre, porém nasce com o poder de sê-lo, isto é, de tornar-se dono de suas acções. O homem nasce com o poder de se fazer ser humano e é isso que nós perseguimos.
    Lindo texto Sonia amiga que é linda por fora e por dentro.

  1. Ronaldo Marques disse...:

    Minha cara Boo,
    Nessa nossa marcha da insensatez você me faz lembrar a frase de Abraham Lincoln:

    “Este país, com suas instituições, pertence ao povo, que nele mora. Quando ele estiver cansado do governo existente, deve poder sempre exercer o seu direito constitucional de reformá-lo, ou o seu direito revolucionário de derrubá-lo”.

  1. É assim, a coragem fica escondida e só se mostra no tempo maduro. Muito bem, muito bom ! Alvíssaras.

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