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"Quem não te procura, não sente sua falta. Quem não sente sua falta, não te ama. O destino determina quem entra na sua vida, mas você decide quem fica nela. A verdade dói só uma vez. A mentira cada vez que você lembra. Então, valorize quem valoriza você e não trate como prioridade quem te trata como opção."

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Metade

quarta-feira, 27 de julho de 2011



Dia pela metade
Semana pela metade
Vida pela metade...
Um grito silencioso de dor
Ninguém ouve
Ninguém percebe
Apenas o peito
rasga e sangra
num esboço de gesto...
Mãos espalmadas se perdem no ar
As lágrimas
que o vento seca
são transformadas em areia
e ferem os olhos

A dor é inteira
Angústia inteira
Momento intenso
De tantas metades vividas
Rasgadas, largadas, sentidas...
O peito ôco indaga da vida:
Onde está... a outra metade?


Os Estatutos do Homem

sexta-feira, 15 de julho de 2011


Essa é a minha homenagem, de coração, aos homens, neste seu Dia Internacional, representados aqui, pra mim, pelo meu sócio querido Denilson Luiz. Espero que todos gostem. :)

Os Estatutos do Homem (Ato Institucional Permanente)

A Carlos Heitor Cony


Artigo I

Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.

Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.

Thiago de Mello

Santiago do Chile, abril de 1964
Fonte: Jornal de Poesia



Corpore et anima unus...

quinta-feira, 14 de julho de 2011



Lavei minha alma
num riacho encantado.
Saiu leve, renovada,
luzindo cor e esperança.
Mas não voltou inteira...
Uma parte se desprendeu
e ficou dançando sobre as águas,
igual àquelas flores de algodão,
que sopramos ao vento...
Sem rumo, sem planos...
Foi compor a energia
do sonho coletivo,
Que viaja na imensidão e pureza,
Na imparcialidade subentendida
das águas cristalinas...
E gira a roda do Universo...

Vida

terça-feira, 12 de julho de 2011



Espalhava palavras pelo ar
como um louco,
que murmura enquanto anda...
O poeta o seguia
E com um cesto de paciência
colhia suas palavras
e as unia em belos versos,
carregados de luz, perfume e cor...
E ele andava, incansável,
murmurando...
O poeta, então, se aproxima...
E fica a ouvir...
As palavras agora se repetem...
E se transformam no que parece um mantra:
"Nada mais desejo do que o que mereço
e faço jus,
vida que te quero viver"!!

A sugestão da música veio de um presente, um carinho, que recebi no Facebook, da amiga Natália Castro e, como eu acredito que nada é por acaso, o vídeo veio complementar o post. Obrigada, Naty. O post todo é uma homenagem a você.