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"Quem não te procura, não sente sua falta. Quem não sente sua falta, não te ama. O destino determina quem entra na sua vida, mas você decide quem fica nela. A verdade dói só uma vez. A mentira cada vez que você lembra. Então, valorize quem valoriza você e não trate como prioridade quem te trata como opção."

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A Nova Língua PeTralhesa

segunda-feira, 23 de maio de 2011


“É com o corasão cheio de tristesa que hoge eu veinho aqui falar pra vocês que anos de minha vida e também da de Denilson (@decicote) foram dedicados a mais inútiu das faculdades: a das Letra e iço não ta serto”.

“...foi profundamente penoso pra mim, escrever dessa maneira. Eu brinco muito no Twitter, crio alguns neologismos, falo “caipirês”, mas jamais pretendi que meu dialeto próprio fosse incorporado ao uso culto da Língua. Sempre gostei de brincar com letras, jogar com sílabas, palavras cruzadas, anagramas. É bonito você conhecer a origem das palavras de sua língua e saber porquê se escrevem dessa ou daquela forma. O conhecimento é e sempre será um diferencial. É através do conhecimento, da cultura, do aprimoramento, que os profissionais crescem nas carreiras e avançam no mercado de trabalho.
Sonia
...o primeiro passo para o abismo já foi dado; ao aceitar, mesmo que em uma única página o erro, por que não imaginar então que poderia, sem problema nenhum aparecer em duas páginas?? E Se isso é possível, por que não em três ou quatro?? Como então dizer ser errado criar todo um livro de gramática certo de maneira totalmente errada?? Acho que até eu fiquei confuso agora.
Denilson
Andamos acompanhando todas as discussões sobre o errado/certo na língua portuguesa . Temos trocado muitas idéias, tentando chegar ao verdadeiro cerne do pensamento petralha. Nós, apesar das brincadeiras, levamos bem a sério o que eles fazem mesmo quando parece se tratar da maior idiotice do mundo. O que será que se esconde por trás de toda essa polêmica?? È uma discussão apenas sobre o certo e o errado na língua ou há algo maior, um objetivo não declarado?
Se há frases que podem caracterizar de forma definitiva a ideologia petralha, essa é uma delas: ” Tudo no Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado”, consagrada por Benito Mussolini, líder fascista Italiano. O pensamento totalitário simplesmente não pode aceitar que há algo fora da sua esfera de poder, mesmo (ou principalmente) os pensamentos, e é fato que a língua é o principal veículo condutor de todo sistema de valor, de ideias, geradora de cultura e identidade, de unidade. Impor sua língua, dialeto ou forma de falar é conseguir legitimar a forma de pensar, e até metade do século passado era muito corrente o uso do ditado; “uma língua é um dialeto com um exército e um banco por trás”. Quem não lembra dos anos em que Stalin executou a politica de russificação? Também Hitler alimentou o sonho de domínio total onde a língua mundial fosse o alemão e tinha no Siegfried de Wagner o ideal do “novo homem”. Os petralhas, por não possuírem uma língua própria ( por pior que a usem, por mais incompreensível que pareça, ainda continua sendo a língua portuguesa) fizeram então uma escolha que os define completamente: o errado passaria a ser o certo.
Perceberam pelos números apresentados pelo próprio Ministério da Educação que seria um erro enorme investir em educação de qualidade. Primeiro, não tinham competência para tanto, assim sendo, nem merecia a tentativa... Em 2010, útimo ano do "Siegfried petista" o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (em inglês, PISA - International Programs for Student Assessment) considerou que o Brasil subiu 33 pontos entre 2000 e 2009, porém a qualidade do ensino foi considerada extremamente ruim pois entre os 20 mil alunos que fizeram as provas de leitura, ciência e matemática, mais da metade sempre receberam a nota mais baixa, correspondente ao nível 1, o que manteve o País na 53º posição entre os 64 países (Fonte Estadão). (Sim, eu consigo visualizar suas caretas de repúdio...)

É esse desempenho abaixo da média nas provas que mantém o Brasil, apesar da melhora ao longo da década, nos últimos lugares do teste internacional - 53.º de 65 países. Em ciências, nenhum aluno brasileiro atingiu o nível 6 do PISA. E só 20 deles (0,1%) chegaram ao nível 6 em leitura e matemática.

No Ideb do próprio governo os estados com oposicionistas alcançaram as melhores colocações, enquanto dos estados governados por petralhas, ops, petistas, Acre, Piauí, Pará, Bahia e Sergipe. Somente o acre atingiu a meta estabelecida. Temos a impressão que os números dos estados aliados foram tão ruins quanto o dos petistas.
Segundo, quanto maior a escolaridade e a qualidade de vida nos estados, menos votos eles receberiam, pois os eleitores seriam mais críticos e não tendo que se preocupar com a cestinha básica do dia a dia, passariam a observar e julgar melhor as falcatruas dos políticos petralhas e sua base aliciada....

Nisso, conseguimos discernir, um programa a longo ou médio prazo, de DESnacionalização, DEScaracterização do país e de sua unidade básica, perpetrando a ideologia esquerdista do coitadismo, da ignorância e da total falta de perspectiva futura.
Não desistiremos de combater esse intento petralha. Não nos calaremos diante do desmoronamento do que resta ainda de nossa educação...mas isso é apenas o começo...não desistam também. Nós voltaremos. E a história ainda continua...

*Texto elaborado a quatro mãos por Sonia e Denilson (depois de muito nos cutucarmos e estapearmos esse foi o resultado, rs)

Kibe Loco - Osama Bin Laden não morreu

terça-feira, 10 de maio de 2011

Reflexões sobre o Civismo, os brasileiros e os brasilienses. (Parte II)

segunda-feira, 18 de abril de 2011



Bem...depois de aproximadamente dois meses, e nós todos termos desistido e esquecido, nosso amigo Decicote retoma o texto sobre o civismo e a sua história a partir da colonização e nos brinda com a segunda parte... ei-la!!

O colonizador português
Portugal formou junto á Espanha uma das maiores potências colonizadoras da época. A geografia foi um fator preponderante, pois os países estavam às portas de um oceano ainda em sua maioria desconhecido dos europeus. Partilhavam e partilham a península Ibérica.
A Península Ibérica, ao longo dos tempos, já foi chamada de vários nomes enquanto era governada por povos distintos. Entre eles, destacam-se os nomes Iberia e Hispania. Iberia foi o nome grego dado à península Ibérica, por mais que eles conheciam somente a parte entorno do rio Íber. Já Hispania era o nome romano da península. A região, depois do período histórico denominado Reconquista, foi se transformando e os muçulmanos foram expulsos. Portugal como estado surge em 1143 e confirmado, mais tarde, pelo Papa Alexandre III pela emissão da Bula Manifestis Probatum. Com o casamento em 1492 entre Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, surge o que depois seria a Espanha.
Países tardiamente incorporados à Europa, Portugal e Espanha são conhecidos pelos historiadores como povos de mentalidades diferentes do resto do continente, mais propensos ao individualismo, ávidos de saber e gozo, onde “cada qual é filho de si mesmo, de seu esforço e suas virtudes”(HOLANDA, Sergio Buarque de - Raízes do Brasil- pag. 32) tendo os portugueses a diferença caracterizada como ”Um espanhol sem a flama guerreira nem a ortodoxia dramática do consquistador do México e Peru; um inglês sem as duras linhas puritanas. O tipo contemporizador. Nem ideais absolutos, nem preconceitos inflexíveis” (FREIRE, Gilberto – Casa Grande e Senzala – pag. 265) .
A Espanha foi inflexível em sua resolução de assegurar o a supremacia militar, econômica e politica desde o inicio, criando grandes centros em função de sua ganância. “Io no vine aqui para cultivar la tierra como un labriego, sino para buscar oro”, escrevia Cortez. E a percepção de que estavam em uma terra extremamente cheia do “vil metal” se deu pelo encontro com outra cultura antiquíssima, os astecas, cultura que foi dizimada e seu último grande Rei, Montezuma, morto.
Os espanhóis tiveram predileção em colonizar onde o clima mais se parecesse com o da metrópole, logo não se importaram de entrar mata adentro. Também seus núcleos colonizadores eram criados de forma a sujeitar a natureza. A linha reta prevaleceu sobre a geografia. Suas cidades, construídas a partir de formas octogonais, com grandes praças ao centro. Somente depois partiram realmente para a catequização dos povos subjugados, transferiram exércitos e administradores, e já em 1558 era fundada a primeira das várias instituições de ensino.
Os colonizadores portugueses contaram com bem menos condições e uma certa má vontade. Enquanto havia todo um conjunto de regras escritas a ordenar a colonização hispânica, a colonização portuguesa foi irregular. Não havia grande preocupação com essa colônia recém descoberta. A própria carta de Caminha indica um deslumbramento idílico, não econômico; “... Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos......Porém o melhor fruto, que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.” Os portugueses estavam ainda investindo tudo no comércio de especiarias e um dos lemas dá época era “Jesus e Pimenta”. Onde não tinham a pimenta, ou o comércio de especiarias, o físico, deviam então levar o Espiritual. Mesmo nas colônias da Ásia era seguido o modelo do tipo predatório/extrativista. Quem atendeu ao chamado missionário para a terra de Santa Cruz foi a companhia de Jesus, a quem se deveu a maior parte dos contatos com os índios. A população indígena, extremamente nômade não se prestava ao tipo de escravidão que os colonizadores necessitavam. Também não portavam amuletos, peças e máscaras de ouro com pedras preciosas. Ao invés da agressividade expansionista a partir de centros bem dispostos, o português preferiu a segurança do litoral, que o deixava diretamente ligado à Pátria e ao Rei. Vale dizer que das primeiras leis que tentaram disciplinar a colônia, a mais importante foi de não se aprofundarem além do litoral, levada a cabo pelo governador geral Tomé de Souza. Coube a companhia de Jesus também estabelecer a principal forma de contato; suas escolas procuravam atrair e transformar o índio em um bom cristão. Foram eles a implantarem o que já foi citado acima como os meninos-língua, órfãos, tanto de Portugal como de mestiços dos portugueses com os índios e a língua geral, baseada quase que totalmente no tupi, língua que predominava no litoral brasileiro. Tamanho foi o desinteresse que durante os primeiros 200 anos, mal se formaram cidades no interior brasileiro. São Paulo de Piratininga era uma exceção, e Itu era a última ligação com o que chamavam de mundo civilizado e com os confortos parcos da vida na colônia. De Itu partiam as bandeiras que definiram depois as fronteiras do país e a formação de outras cidades.

O pecado invade o paraíso
Porém, a dissolução sensual também esteve presente desde o descobrimento e o colonizador, vindo de um continente onde a renascença e a contra reforma ditavam as regras, e onde a peste havia deixado enorme rastro de morte com a perda de amigos e entes queridos como algo sempre presente, foi nos trópicos que os navegadores procuraram consolo. Basta observar o primeiro olhar do colonizador em nosso povo, traduzido de novo na carta de Caminha; “...Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem moças e bem gentis, com cabelos muito pretos, compridos pelas espáduas, e suas vergonhas tão altas, tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as muito bem olharmos, não tínhamos nenhuma vergonha.”(CAMINHA. 1500)
Foram dessas aventuras que surgiram em terras brasileiras os primeiros mestiços. Forma eles fator chave nos primeiros séculos e formaram então no Brasil três núcleos de povoamento e mestiçagem nesse período inicial e tiveram como chefes e patriarcas Jerônimo de Albuquerque, Diogo Álvares Caramuru e João Ramalho, porém, todos os navios estrangeiros que aqui aportaram tiveram o mesmo problema de esbarrar em montes de mulheres e homens nus, que pouco ou nada sabiam do pecado e da queda bíblica. Aqui cabe citar Paulo Prado, em Retratos do Brasil;
“Os arquivos da Torre do Tombo forneceram os preciosos documentos da primeira visitação do Santo Ofício às partes do Brasil, de 1591-92. É um quadro impressionante do começo de sociedade que era a Bahia nesse findar de século...
Grande número dessas confissões, 45 em 120, referem-se ao pecado sexual. Na população relativamente escassa da cidade do Salvador e do seu recôncavo a repetição dos casos de anormalidade patológica põe claramente em evidência em que ambiente de dissolução e aberração viviam os habitantes da colônia... sodomia, tribadismo, pedofilia erótica, produtos da hiperestesia sexual a mais desbragada, só própria em geral dos grandes centros de população acumulada. Sodomita, esse vigário de Matoim, de 65 anos, cometendo atos desonestos com mais de quarenta pessoas, ou esse outro clérigo, Fructuoso Álvares, “homem velho que já tem as barbas brancas”, pederasta passivo, assim como o cônego Bartholomeu de Vasconcellos, apaixonado pelos negros de Guiné; e o sodomita incestuoso Bastião de Aguiar, menor de 16 anos que se ajuntava com o irmão mais velho e com um bacharel em artes, natural do Rio de Janeiro; e Lázaro da Cunha, mamaluco, que vivera cinco anos entre os tupinambás, “despido e tingido”, praticando com as índias o pecado nefando; .... Fernão Cabral de Thayde, que queimara viva uma escrava índia, grávida, e escolhera a igreja de Jaguaripe para os seus ajuntamentos e que diante de uma repulsa declarava, “trocendo os bigodes”, que isso tudo eram “carantonhas”, que uma bochecha d'água lavava; culpado de bestialidade, Heitor Gonçalves, confessando que sendo menino, de 8 a 14 anos e pastor de gado “nesse tempo dormira carnalmente por muitas vezes em diversos tempos e lugares com muitas alimárias: ovelhas, burras, vacas, éguas, etc., e afinal, notável pela sua posição social, o capitão Martim Carvalho, tesoureiro das rendas, amancebado publicamente com um joven que o acompanhava nas entradas pelo sertão. Esse, tão escandaloso, que fora recambiado para o reino por pecado de sodomia.”

Podemos perceber que mesmo os clérigos não conseguiram assegurar de modo definitivo a pureza devida ao paraíso. Incontáveis porém são os cadáveres dos aborígenes, cujo sistema imunológico não estava minimamente capacitado a enfrentar a leva de doenças trazidas pelos conquistadores. Por toda a cpsta populações inteiras foram dizimadas pelas doenças sexualmente transmissíveis.E quanto ao outro vértice? A pimenta do Brado “Jesus e Pimenta”? Como foi que se deu a exploração material de nossa terra?
Desde sua origem mal amada, a nação do brasilenses estavam sempre à mercê dos brasil-eiros, que também trouxeram para cá uma parte importante do que hoje constitui o Brasil: os negros. Diz Gilberto Freyre que o; “escravocrata terrível que só faltou transportar da África para a América, em navios imundos, os quais de longe se adivinhavam pela inhaca, a população inteira de negros...”
Retirados à força de sua nação, vieram substituir a mão de obra indígena que ofereceu oposição passiva (mas nem sempre) contra a escravidão; eles estavam em suas terras, e apenas se embrenhavam mais e mais para longe dos colonizadores.
Ao colonizador português pouco interessava o trabalho duro da lida diária. Tinha o espírito inquieto. Sérgio Buarque de Holanda, em seu clássico “Raízes do Brasil” relata que mesmo nas prosperas fazendas de açúcar, que fizeram primeiramente a riqueza do pais, o trabalho era feito de forma a tirar o máximo da terra, com o mínimo esforço. Ao exaurir demais uma propriedade, logo outra era criada. Mesmo o uso do arado, corrente em toda Europa, pouco era usado aqui. A ferramenta usada exaustivamente foi o escravo africano, e aqui se desenvolve outro drama; o deslocamento de milhares de seres humanos retirados de suas terras e de suas famílias, apinhados nos navios negreiros, vitima de fome e toda espécie de doenças.
Esses são os três povos presentes em nossa genealogia. O índio, cada vez mais açoitado por doenças, pelo zelo religioso, pela tristeza da perda de territórios que lhes eram caros, e pela perda de sua cosmovisão de mundo, de seus valores, totalmente opostos aos do colonizador português como se mostra neste trecho de Viagem à Terra do Brasil de Jean de Lery, citação encontrada na revista USP: “Por que vindes vós outros, maírs e perôs (franceses e portugueses) buscar lenha de tão longe para vos aquecer? Não tendes madeira em vossa terra? Contesta Levy que o pau-brasil é para fazer tinta, não queimar. O índio indaga razão para tamanha quantidade. Levy responde que existem negociantes que trocam pau brasil por mercadorias como as que são oferecidas ao índios. O velho tupinambá volta a insistir, perguntando;” Mas esse homem tão rico de que me falas não morre? - Sim, disse eu, morre como os outros. Mas os selvagens são grandes discursadores e costumam ir em qualquer assunto até o fim, por isso perguntou-me de novo: e quando morrem para quem fica o que deixam? - Para seus filhos se os têm, respondi; na falta destes para os irmãos ou parentes mais próximos. - Na verdade, continuou o velho, que, como vereis, não era nenhum tolo, agora vejo que vós outros maírs sois grandes loucos, pois atravessais o mar e sofreis grandes incômodos, como dizeis quando aqui chegais, e trabalhais tanto para amontoar riquezas para vossos filhos ou para aqueles que vos sobrevivem! Não será a terra que vos nutriu suficiente para alimentá-los também? Temos pais, mães e filhos a quem amamos; mas estamos certos de que depois da nossa morte a terra que nos nutriu também os nutrirá, por isso descansamos sem maiores cuidados” ( Berta G. Ribeiro – Revista da USP ), o colonizador que veio em busca de aventura e riqueza, se perdeu em busca de uma sensualidade proibida e trouxe consigo todo o arcabouço social, cultural e religioso, e começava a sofrer com a decadência de Portugal. 80 anos depois da descoberta do país Portugal passava para o rei Felipe da Espanha. A inquisição começava a tomar todos os espaços e as colônias da Ásia e da África começaram a escorrer pela mão dos colonizadores. De acordo com Gilberto Freire, o Português triste veio a ficar no Brasil Sorumbático e sonolento. Os colonizadores, os brasileiros, que aqui vinham apenas pela aventura, desejo de lucro fácil e fuga dos rigores da religião, não queriam ficar nesta terra. Aspiravam e desejavam o que jamais voltariam a ser; um povo de descobridores audazes e valentes, sem medo dos mares desconhecidos. Conquistadores, e não lavradores. Quanto ao negro, o que veio junto não foi só a tristeza, a saudade da terra natal. Mas da metade morria em plena viagem, que durava meses. Retratado de forma magistral nestes versos de Navio Negreiro, de Castro Alves
Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d'amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...
Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje... cúm'lo de maldade,
Nem são livres p'ra morrer. .
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.
E assim zombando da morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoute... Irrisão!...

Continua......

Reflexões sobre o Civismo, os brasileiros e os brasilienses. (Parte I)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011


- Este texto me foi enviado pelo amigo Decicote, e eu achei tão incrível e completo em seu embasamento histórico e suas argumentações que achei digno de compartilhar com vocês. Espero que o apreciem tanto quanto eu. -

.

"A vida nos faz surpresa agradáveis de vez em quando, apesar da minha fé quase cega de que, sendo a lei de Murphy mais definitiva e atuante que a lei da gravitação Universal de Newton, qualquer surpresa agradável detonará forças e processos que levarão a algum tipo de hematoma. Desta vez não foi o caso.
O citado texto aborda reflexões da querida amiga sobre quando nós, brasileiros, perdemos o sentido de orgulho Nacional, o sentimento de identidade Nacional e o apego pela liberdade. Questões por demasiado complexas. Porém, corajosamente a autora não se sentiu intimidada. Para ela foi o silêncio quase cúmplice dos brasileiros em meio a desastres, inflação, roubos,etc, que detonou processos que a levaram a raciocinar o porquê. No meu caso, mais fortuito, foi o próprio texto dela que me fez pensar onde e se, realmente, como nação, tivemos em algum momento histórico esse tipo de sentimento, de orgulho.
Diferentemente de todas as outras nações somos o único país que se inicia no descobrimento, do zero absoluto, diversamente de todos outros povos civilizados. Não há nada em nosso imaginário anterior a 1500, quando Cabral aporta em uma terra ainda a espera de um nome. Fomos “descobertos” pelo olhar europeu, já participando, mesmo não sabendo, da tradição europeia. Há sempre relatos nas cartas de viagem da época, nossa primeira forma de literatura, de índios que tocavam flautas como o Deus pã, comparando Pajés a “profetas” segundo Thevet (cosmografia universal, 1, vi, 5, f.163) que também imagina reconhecível o curso idêntico do Amazonas ao Ganges. Enfim, ideias e frases povoando o mundo recém-descoberto com as tradições mais antigas do ocidente. O olhar europeu foi o que nos definiu, nos classificou, rotulou e dispôs em prateleiras, atitude normal de quem quer entender a cultura dos outros pela própria, ( típica de conquistadores). Sequer sabemos de forma definitiva a origem de nosso nome, alias o terceiro depois de Ilha de Santa Cruz, pois ainda se desconhecia a extensão e depois Terra de Vera Cruz, para honrar Camões em Os Lusíadas; ”de santa cruz o nome lhe poreis”. Por isso parece pouco provável que o nome tenha vindo da madeira. Antes a madeira “cor de brasa” deve ter servido como um reforço posterior. Com efeito vários mapas bem antigos, anteriores as descobertas das Américas falavam de uma terra brasil, um tipo de paraíso da abundancia. A defasagem e o acerto de contas com nosso passado aumenta a medida que caminhamos, basta comparar com a defasagem entre os brasileiros e seus Hermanos latino Americanos sobre o conhecimento de suas raízes anteriores à colonização, ou melhor, à “descoberta”. Fazem parte do orgulho nacional as tradições culturais pré-colombianas, o culto as tradições indígenas, a redescoberta cultural de aztecas, maias, e ao mesmo tempo, a convivência com as tradições judaico-cristãs europeias e a institucionalização do modelo europeu educacional modificado conforme a necessidade de cada pais e cada povo. Fazem parte desses povos o culto aos levantes, a transformação em tradição de fatos que compuseram o mosaico da vida nacional, os acontecimentos que marcaram a libertação colonial . Aqui, são apenas relatados, a cada levante segundo a região em que aconteceram, e é somente nestes lugares é que fatos, decisivos para a construção nacional de nossa desaparecida identidade são cultuados. Ao invés de estudados pelos alunos do curso médio, a revolução farroupilha, a inconfidência mineira e todas as outras formas de lutas contestatórias são estudadas de forma rápida, sem aprofundamento, sem mostrar realmente a importância na formação Nacional.

As diferenças da colonização.

As formas de colonização tem influência determinante na formação de caráter nacional e no Nacionalismo, para o bem ou para o mal. Será também determinante na falta do mesmo? Um pais assim construído é possível? Robson Crusóe, quando naufraga definitivamente em “sua ilha” (era seu segundo naufrágio) , constrói um pequena “Inglaterra”. Tendo conseguido salvar as ferramentas, armas, bíblia e papel e também caneta, tomou posse assim daquele pedaço de terra transformando-lo de imediato em uma imagem de menores proporções da civilização, ou o que ele conhecia como tal. Levantou sua casa, construiu moveis, e até o sobre primeiro ser humano que conheceu, exerceu de certa forma a licença que foi dada por deus aos homens; o de nomear seus domínios e os animais inferiores. Assim, em uma sexta feira, Robinson exercendo seu poder civilizatório, dado por deus, batiza o novo amigo de sexta feria. A colonização espanhola nas américas foi deste modo também; apressou-se em construir centros populacionais no modelo europeu, construindo e moldando a urbe, transformando na extensão do poder sagrado do monarca, subjugando com mão de ferro aos povos, destruindo sua unidade ao impor a mentalidade severa católico/cristã. Já os portugueses demoraram a se estabelecer nas terras recém encontradas. Primeiro tinham a sanha devoradora/parasitária/extrativista. Vinha ao brasil, trocavam mercadorias pelo trabalho dos índios de recolher a maior quantidade possível do pau brasil, recolhiam vivéres, animais exóticos, praticavam sexo de forma tão desinibida quanto os nativos (o que pós em contato os índios com as doeças europeias, como a sífilis, gonorreia, etc, etc. a falta de imunidade vitimou milhares) e embarcavam às vezes índios, então “consumidos” com avidez pela corte europeia. Mesmo após estabelecer alguns pequenos núcleos de colonização, sequer tentaram impor de forma violenta a língua, normalmente o primeiro passo de todos conquistadores; a língua é portadora da formação cultural, e arma de conquista para subjugar o mais fraco. Por está época tiveram grande importância na colonização os órfãos, chamados de crianças língua; eles eram introduzidos no Brasil, aprendiam os costumes e a língua indígenas e assim contribuíam na comunicação entre o português europeu e a população nativa. Houve nos primórdios da colonização o que se costuma chamar de língua geral, com alguns traços da portuguesas e grande parte das principais línguas indigenas. Ao contrário dos espanhóis, pareciam que os portugueses que aqui vinham, o faziam apenas “de passagem”, como um trabalho a qual lhes obrigada de vez em quando ausentar-se da família e dos luxos da vida moderna europeia. Mesmo então parece que este costume permaneceu entranhado em nosso inconsciente coletivo e que estamos aqui no Brasil apenas de passagem, sem amar a terra e fixar raízes. Interessante é este fragmento de um texto da Revista da USP, do qual tirei muitas das idéias ;
“Parece mais significativa a ironia com que nos presenteou a nossa história em relação ao termo que nos identifica como povo. Estranhamente, não se trata de um adjetivo pátrio, à diferença do que ocorre em outras línguas que não nos chamam com a tal desprimorosa designação profissional. De fato, o sufixo “eiro” que ele porta designa na verdade o sujeito que exerce oficio conhecido. Portanto, em bom português, ser brasileiro é como ser pedreiro, porteiro, sapateiro, bodegueiro; um meio de vida. E até concordaremos que isso se dá frequentemente entre nós. Nas suas origens coloniais, brasileiros eram os marinheiros, os portugueses que vinham “fazer o brasil”, explorar a madeira e os produtos da terra, enriquecer e retornar para a metrópole; “Vá degradado para o brasil, donde tornará rico e honrado”. Dizia fri Vicente do salvador, em 1618. Portugal reservou o termo e o estendeu aos que aqui permaneceram e aos seus descendente. Aceitamos essa impostura passivamente. E permanecemos brasil eirós até hoje. Parece indubitável que isso não se deu sem graves consequências em nosso inconsciente coletivo. Analogamente a outras profissões, brasileiro é assim aquele que vive de explorar o brasil e a sua gente. Essa generalização aprece eticamente espúria. Mas podemos reserva-la como injúria para aquela minoria de donos do poder que efetivamente exercem o ofício habitual de explorar os demais; a imensa a maioria desse pais. Para essa gente imaginemos o verdadeiro adjetivo pátrio, que bem poderia ser brasiliense ou brasilense.....”
EDUARDO DIATAHY B. DE MENEZES. – Professor titular do DFCS/UFC em 1991 – Revista USP nº 12 - Dossie 500 anos da América Pags 79/80.

Desde os primórdios não tínhamos consciência da Pátria brasilense, no sentido que tem a palavra, derivada de um vocábulo latino pater, pai, e patris, terra paterna. Assim colocada, parece que sim, sempre tivemos essa relação; sempre ansiamos por uma pátria/pai, cuja proteção, justeza e bondade fariam dos brasileiros seres abençoados e felizes. Na verdade, nessa aspiração seria necessário usar o termo genitor. Páter, no antigo direito romano, era uma figura jurídica, senhor chefe e com o domínio sobre as propriedade, dos animais, casas ou outras construções. Pai era o donoda patris, do Patrimonium, cujo poder era exercido a partir da residência, ou casa, em latim Domus, formando o Dominium, incluindo também todos que estivessem sob seu poder “patriarcal”, ou pátrio poder” para referir-se ao seu poder legal sobre a família, servos, parentes pobres. Nossa pátria, ou pelo menos a pátria física e espiritual dos nossos primórdios era Portugal. A palavra que definia então o status brasileiro era nação, mas não nação no sentido moderno antropológico, sendo sinônimo de povo ou etnia em sua acepção política, com a constituição do Estado-nação a partir da independência dos Estados Unidos e da Revolução Francesa, entendido como estado-nação em todas as suas implicações. Nação vem nascor, (nascer) derivando o substantivo natio, ou nação, parto da mesma ninhada e após a fixação do poder da igreja passou a ser usada no plural nationes(nações). Assim era referido aos pagão, o que os distinguia do “povo”, que logicamente era o povo de deus, o populus dei. Nação significava então apenas a descendência comum, e por exemplo, os judeus, eram chamados de homens da nação, assim como os índios e outros povos como os africanos a quem os colonizadores não reconhecia com direitos políticos jurídicos, que definia o conceito de povo (imaginem só, povo já foi mais importante que nação, hehe).
Desde Sempre mal amados, a nação do brasilenses estavam sempre a mercê do brasil-eiros, que também trouxeram para cá uma parte importante do que hoje constitui o brasil: Os negros. Diz Gilberto Freyre que o; “escravocrata terrível que só faltou transportar da África para a américa, em navios imundos, os quais de longe se adivinhava pela inhaca, a população inteira de negros...” Retirados a força de sua nação, vieram substituir a mão de obra indígena que ofereceu oposição passiva (mas nem sempre) contra a escravidão; eles estavam em suas terra, e apenas se embrenhavam mais e mais para longe dos colonizadores. Os então colonizadores portugueses não conseguiam compreender a ingratidão da “nação indígena”. Tão indignos eram, segundo os cronistas religiosos da época, que não possuíam as letras F, L, e R- o que significava que que não possuíam nem Fé, nem Lei , nem Rei".

Continua............