
Com o perdão da má figura de linguagem, o silêncio de nosso povo tem ferido, constantemente, meus ouvidos. Isso gera um questionamento sobre coisas que andam me incomodando. Tenho me perguntado, com certa freqüência, em que ponto da história o brio dos brasileiros se perdeu? O orgulho nacionalista e a sensação de liberdade de idéias e atos...isso foi perdido ou apenas adormecido? Num sono profundo, alimentado por silêncios, omissões, anuências e, por fim, submissão.
É sabido que o povo brasileiro nunca foi passivo. Temos exemplos de grandes revoltas ao longo da história. Há fatos que não ficam nada a dever em grandeza, demostração de orgulho, coragem e patriotismo (e até loucuras e audácias beirando o épico) a qualquer outra nação. Como um povo, capaz de escrever os capitulos grandiosos e sangrentos da Revolução Farroupilha, a triste grandeza da traição e solitária morte de nosso mártir maior, Tiradentes, um dos lideres da inconfidência mineira, o messianismo popular da guerra dos Canudos, as revoltas pela independência em Pernambuco, Pará e Bahia que culminaram com a independência do Brasil, enfim, são tantos exemplos.... Então, por que num momento em que nos vemos extorquidos por impostos abusivos e não explicados, vítimas do descaso pela dor comum das grandes tragédias e, ainda, cerceados no nosso direito fundamental, que é a liberdade, o silêncio ainda persiste? Uma indagação que fica no ar e se torna inquietantemente pesada.
Ouso teorizar a respeito, lembrando do período de ditadura militar, onde as vozes foram caladas pela força e a opressão dos grilhões da censura. Ainda assim, havia nos olhos e nas atitudes, um respeito pelos símbolos e uma noção, mesmo que básica, de civismo.
Após 24 anos de governo, os militares iniciaram o que se chamou de “abertura política”: um processo a médio prazo, que incluiu a anistia de exilados políticos e a criação de múltiplos partidos de oposição, a maioria com tendências esquerdistas.
Enfim, quando a ditadura militar chegou ao seu final, houve um processo de negação de tudo que pudesse lembrá-la, pois o que se queria era respirar a liberdade. Liberdade de ter novamente um governo civil e, de voltar a escolher, diretamente, pelo voto, os governantes.
Mas, tudo sempre tem dois lados. Apesar de não ser bom nenhum tipo de governo imposto pela força, o ensino do civismo que havia nas escolas era uma coisa positiva, mas foi abolido de forma veemente por remeter direto à lembrança do governo militar. Em contraponto, a liberdade era a palavra de ordem. Depois de tantos anos de censura, era compreensível. Mas, erroneamente, o conceito de país livre, povo livre, passou a ser associado aos movimentos esquerdistas. Tudo que se opunha ao regime ditatorial era moderno e revolucionário.
Todo extremo, toda situação limite, passa a ser algo preocupante e perigoso. Associar liberdade a governos esquerdistas é um extremo. Toda esquerda é totalitária e radical e não menos opressiva que uma ditadura militar direitista.
Nos vemos, hoje, em um governo pseudotrabalhista, onde as elites se beneficiam, a corrupção corre solta e a imunidade parlamentar e a impunidade são estrelas de escândalos e CPI’s sem fim...
E, onde está aquele herói revolucionário, disposto a tudo pela liberdade e a justiça para o seu país e seu povo?
Acredito que ele está dentro de cada um de nós, que não nos conformamos com os desmandos e o descaso a que somos submetidos.
É preciso união e organização de idéias semelhantes por um bem, um objetivo comum. Unidos e bem fundamentados podemos mudar as regras desse jogo. A força está no povo. Nós temos o poder.
**Agradeço a colaboração e o apoio inestimáveis do amigo Decicote, sem os quais, esse texto não teria sido produzido.
Cliente paulista, garçon carioca
Há 6 anos
