Dia pela metade
Semana pela metade
Vida pela metade...
Um grito silencioso de dor
Ninguém ouve
Ninguém percebe
Apenas o peito
rasga e sangra
num esboço de gesto...
Mãos espalmadas se perdem no ar
As lágrimas
que o vento seca
são transformadas em areia
e ferem os olhos
A dor é inteira
Angústia inteira
Momento intenso
De tantas metades vividas
Rasgadas, largadas, sentidas...
O peito ôco indaga da vida:
Onde está... a outra metade?

