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"Quem não te procura, não sente sua falta. Quem não sente sua falta, não te ama. O destino determina quem entra na sua vida, mas você decide quem fica nela. A verdade dói só uma vez. A mentira cada vez que você lembra. Então, valorize quem valoriza você e não trate como prioridade quem te trata como opção."

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Soltando o verbo (ou, apenas, divagando...)

sábado, 9 de julho de 2011



Há algum tempo eu observo que, quando estamos doentes, precisamos forçosamente limitar as atividades do corpo e, em contrapartida, com essa ociosidade aparente, nosso pensamento começa a voar.

Hoje, um forte resfriado me manteve presa à cama na maior parte do meu dia e, entre um cochilo e outro, provocados pela febre, um turbilhão de idéias se apresentava de forma desordenada, sem uma liderança necessária à organização, rsrsrs...
Pois é, até pensando eu sou toda bagunçada e bagunceira...
Lembrei de um sonho que tive pela manhã em um dos cochilos ( isso é algo que preciso conversar depois com a Andrea Destefani); pensei, realmente, na maior parte do tempo em poesia, criação poética, no quê leva algumas pessoas a transformarem em palavras aquilo que é sentido e faz tomarem uma forma tão bela, com vida e cor, a ponto de podermos, se não vivermos a situação, visualizá-la como num filme... será uma alma diferente? E, se você, agora, pensou: "iiihh, tá se achando, a mona...", está enganado(a), porque eu não me incluo, não. Aquilo que escrevo é um mero ensaio, nada que se possa classificar no rol da poesia. Falo de gente grande, como Pessoa, Neruda, Quintana, Clarice Lispector...
Na década de 80, tive a oportunidade de frequentar, como aluna, o Instituto de Letras e Artes da PUC-RS e tínhamos contato, também, com autores nossos, daqui do sul. Líamos e depois debatíamos, tínhamos palestras, encontros maravilhosos e inesquecíveis... Moacyr Scliar, Lya Luft, Mário Quintana, Armindo Trevisan, Luiz Antônio de Assis Brasil... experiências para encher os olhos, a alma e nunca mais esquecer. Assis Brasil, Trevisan e Quintana são autores de quem guardo com muito carinho os livros autografados. É, ter vivido um pouco mais, ter chegado por aqui um tantinho mais cedo tinha que ter alguma compensação, nénaum? Esse "nénaum" é um carinho pra queridona da Jô Brandalise que me encanta com aquele jeitinho de falar, hehehe.. uma amiga muito especial e carinhosa.
Mas o que mexeu mesmo comigo foi ficar pensando no tanto que tenho lido de gente jovem, faixa etária dos 20/30 anos, com vasto conhecimento da obra de Fernando Pessoa, de seus heterônimos, numa identificação absolutamente fantástica e até, de certa forma, invejável. Não tenho um décimo desse conhecimento. O especialista em análise poética e, principalmente, em Pessoa é o meu sócio Denilson, em pessoa (trocadilho infame), perdoem, estou doente...rs
Observação pertinente feita em tempo: neeeeeem vou tocar no assunto dos poetas ingleses da Regina Brasília, porque a minha erudição está muito aquém disso, rsrsr...
Quero mesmo dizer é que, eu, pessoalmente e no sentido da alma poética mesmo, sinto uma identificação mais forte com os meus contemporâneos, em particular, Mário Quintana e Cecília Meireles. Fiz mil voltas pra dizer apenas isso, mas as pessoas sós, quando ficam afastadas de suas atividades, inventam mesmo coisas pra escrever e histórias para contar. Para me redimir de tomar o tempo de vocês assim, de forma tão impiedosa, deixo um poema da Cecília que eu acho lindo e que carrega muito de mim e do meu momento.

Canção

No desequilíbrio dos mares,
as proas giram sozinhas...
Numa das naves que afundaram
é que certamente tu vinhas.


Eu te esperei todos os séculos
sem desespero e sem desgosto,
e morri de infinitas mortes
guardando sempre o mesmo rosto


Quando as ondas te carregaram
meu olhos, entre águas e areias,
cegaram como os das estátuas,
a tudo quanto existe alheias.


Minhas mãos pararam sobre o ar
e endureceram junto ao vento,
e perderam a cor que tinham
e a lembrança do movimento.


E o sorriso que eu te levava
desprendeu-se e caiu de mim:
e só talvez ele ainda viva
dentro destas águas sem fim.