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Primeiro casamento civil gay do Brasil acontece hoje em Jacareí (SP)

terça-feira, 28 de junho de 2011

28/06/2011 - 06h30

Rodrigo Machado
Especial para o UOL Notícias
Em São José dos Campos (SP)

O comerciante Luiz André Rezende Moresi e o cabeleireiro José Sergio Sousa vão registrar o primeiro casamento civil gay do Brasil

O comerciante Luiz André Rezende Moresi e o cabeleireiro José Sergio Sousa vão registrar o primeiro casamento civil gay do Brasil

Pela primeira vez no Brasil um casal de homossexuais trocará alianças. A cerimônia inédita está programada para acontecer às 10h30 desta terça-feira (28), no 1º Cartório de Registro Civil de Jacareí (a 83 km de São Paulo), onde será assinada e entregue a primeira certidão de casamento civil emitida no país a um casal homossexual.

Na ocasião, o comerciante Luiz André Rezende Moresi, 36, e o cabeleireiro José Sergio Sousa, 29, serão oficialmente declarados casados e constituídos em uma nova família. Convidados, familiares e amigos ligados a ONG Revida, organização não governamental da luta contra a homofobia e responsável por organizar a Parada do Orgulho Gay de Jacareí, a qual o casal comanda e trabalha, devem marcar presença em frente ao cartório para comemorar a conquista dos noivos.

“Não vamos fazer nenhuma recepção, mas vamos festejar no cartório após recebermos o documento e estamos pensando em almoçar em algum restaurante, uma programação básica. Mas vamos celebrar quando completarmos 10 anos de união com uma superfesta”, disse Luiz André.

Agora, o casal terá a certidão de casamento com adoção de sobrenome de ambos e mudança do estado civil de solteiros para casados. O primeiro casamento gay do Brasil ocorre depois de quase dois meses depois de o STF (Superior Tribunal Federal) ter reconhecido a união estável entre casais do mesmo sexo e na data em que é comemorado o Dia Mundial do Orgulho LGBT.

Autorização

A conversão para casamento civil foi autorizada pelo juiz da 2ª Vara da Família de Jacareí, Fernando Henrique Pinto, baseada no artigo 226 da Constituição Federal, que autoriza a mudança de união estável em casamento, medida que agora também pode ser aplicada após o STF ter equiparado a união estável homossexual a uma entidade familiar, passando a ter os mesmos direitos que um casal heterossexual. O Ministério Público também deu o parecer favorável.

O casal registrou a união estável no dia 17 de maio, um dia depois de o STF ter reconhecido os mesmos direitos dos casais heterossexuais e 14 dias após darem entrada no pedido de conversão no cartório de registro civil.

A DECISÃO

  • Reprodução

“Um oficial registrou o pedido em um jornal, encaminhamos para um promotor de cidadania e posteriormente para um juiz da Vara da Família, que deu a sentença favorável. Estou muito feliz com esta decisão, pois fizemos o mesmo caminho que todo casal heterossexual faz quando recorre à Justiça. O trâmite foi normal, como o de um casal quando quer oficializar a união”, disse Luiz André.

Juntos em uma relação que já tem oito anos, Luiz André conheceu José Sergio em uma festa na casa de um amigo em Jacareí. Na ocasião, a paixão foi à primeira vista, segundo o comerciante, que lembra que o sentimento foi recíproco.

“Gostamos um do outro de imediato e começamos a namorar. Em um mês de relação ele (Sergio) veio morar comigo. Formamos um casal tranquilo e buscamos a felicidade como qualquer outro ser humano. Atualmente o pai dele, que está adoecido, e uma irmã moram conosco. Eles fazem parte da nossa família. Agora somos a família ‘Sousa Moresi’.”

Planos
Está nos planos do casal o sonho de comprar uma casa própria. Luiz André conta que já pensa juntar a sua fonte de renda com a fonte do seu marido para comprar uma casa e compartilhar o plano de saúde.

“Temos os mesmos direitos. Agora vamos juntar nossas rendas para comprar uma casa. O reconhecimento do nosso casamento foi nossa primeira conquista, virão outras. Mas o mais importante é que servimos de exemplos para outros casais vivendo a mesma situação. Nossa vitória é dedicada a todos os militantes da causa gay.”

Para o seu marido, José Sergio, a decisão do juiz contribui para diminuir o preconceito da sociedade, mas ainda é preciso que o governo federal invista mais em campanhas educativas, criminalize a homofobia e combata a violência gerada pelo preconceito. “É uma decisão democrática e que respeita o ser humano”, disse.

A advogada de direito homoafetivo e autora do “Manual Prático dos Direitos de Homossexuais e Transexuais”, Sylvia Maria Mendonça do Amaral, destaca que o texto do juiz menciona princípios constitucionais, em especial o direito à igualdade e a proibição de discriminação quanto ao sexo. “Nosso país entrará para o seleto grupo de nações que autorizam o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.”

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/06/28/primeiro-casamento-civil-gay-do-brasil-acontece-hoje-em-jacarei-sp.jhtm

Eu, eu mesma e minhas idéias...

quinta-feira, 23 de junho de 2011


(ou: Surtando Geral... WE ROCK!!! O/)

Talvez eu seja um tanto diferente daquilo que prego...
Não por falsidade ou por falar as coisas apenas por falar. Eu prego aquilo em que realmente acredito, mas nem sempre tenho a capacidade e a excelência de conseguir trazer para minha vida prática.
Sou extremamente complexa e sonhadora, talvez um alguém complicado demais até mesmo para mim. Escorrego nas minhas dúvidas e palavras, tropeço nos meus erros, caio em contradições...
Mas... E sempre haverá um “mas”, algumas coisas são absolutamente claras para mim. Vejo, diariamente, no Twitter, algo que eu acredito ser uma tentativa de mudar as coisas que as pessoas ( e nisso eu me incluo) estão vendo de errado a acontecer pelo país.
Bom, eu sempre fui, essencial e basicamente, apolítica. Nunca levantei bandeiras ou militei por causas que envolvessem finalidade política. Sempre tive minhas opiniões e posicionamentos muito definidos, mas jamais me atraiu a idéia de alardeá-los. Apesar disso, de um ano para cá, eu tenho cada vez mais me envolvido e, mesmo que de forma tímida, tenho participado também. Então, isso só aumenta a minha inquietação e a quantidade de indagações e dúvidas que teimam em me perseguir e desafiar: acreditamos, realmente, que vamos chegar a algum lugar twittando incansavelmente hashtags durante horas para vê-lãs nos Trend Topics? Na verdade, vejo isso como um movimento vazio e sem sentido como gritar para o mar numa praia deserta. Mas o mais inquietante é que as pessoas mais engajadas, politizadas, cheias de conhecimentos e teorias político-filosóficas, mostram um grande embasamento nessas teorias e estudos, mas não mostram seus rostos e nem seus verdadeiros nomes...então, alguém me diga, que credibilidade pode ter um fake para reivindicar alguma coisa? Um cidadão(ã), eleitor(a), tem CPF, RG, registro no cartório eleitoral, assim ele é visto como pessoa, indivíduo nascido, vivente e morador dessa terra...não é um palhacinho ou um chapéu com uma arroba na frente de um nome fictício... Isso é uma piada!!
Também não acredito em movimentos ou mobilizações de nome único, onde todos têm a mesma identidade compartilhada (tipo... Irmãos Metralha, sabe?) e nunca se sabe com quem se está falando...
Nunca li Marx, nem Engel, nem nada disso... Mal corri os olhos pelo “Príncipe” de Maquiavel, mas não creio que haja alguma relevância nisso, agora.
Não creio na puerilidade e na debilidade das tentativas de mudança que só fazem os esquerdopatas rirem. Também não creio que as pessoas idôneas e puras (a maioria) que participam, de bom grado, desses twittaços tenham parado, ainda, para pensar nisso e refletir sobre os objetivos e resultados. Estamos, na verdade, entre a cruz e o caldeirão, já que, nem mesmo os militares (que deveriam ser a nossa extrema direita), nem mesmo eles querem esse abacaxi (o governo do país) de volta.
Assim, analiso o momento como sendo de profunda reflexão, onde devemos refletir sobre como tomar uma atitude efetiva de mudança; como criar algo que possa ser realmente significativo e surtir algum efeito dentro de uma rede social (ou não) e, caso a resposta seja negativa, nada além do que já foi feito seria possível, é bom parar e pensar em QUE benefícios e para QUEM esses movimentos estão sendo úteis. Eu, sinceramente, os vejo apenas como forma de promover e dar status a perfis fakes que usam a militância política via Twitter como um brinquedo de manipular pessoas e situações.
Ou alguém aí, por acaso, já esqueceu do tal de Dedo Duro?
Acorda, gente!! Tá na hora.... E ainda é tempo...


Assim caminha a mediocridade

segunda-feira, 20 de junho de 2011


Peço desculpas aos meus amigos pelas imprecisões e erros no texto, pela falta de coerência e pelos furos lógicos e teóricos. Fiz correndo, em meio a uma completa loucura, sem tempo de retificar e corrigir, tentando lembrar a maioria das coisas de memória, que já não é a mesma (na verdade nunca foi boa).

Hoje pela correria acabei por usar a tão satanizada Wikipédia, que foi minha amiga fiel, já que não lembrava o nome do livro de Voltaire, só a história, e nem tinha tempo de procurar.

Pronto, já estou justificado, mas de novo peço desculpas, a minha cara metade me deixou, e sozinho não valho grande coisa.

Há um consenso quase total entre os historiadores, filósofos de esquerda, sociólogos e correntes políticas (até da chamada “direita”) que a história envolve um processo dialético, e bem ou mal o estruturalismo levou esta pretensão a todos os cantos da sociedade. Se tudo é estrutura e tudo envolve um processo dialético, chegaríamos então através da tese, à antítese na síntese, ou seja, uma junção das melhores partes das duas oposições. Tudo evolui de forma inequívoca até que a síntese final chegue. Isso é bem (muito) “grosso modo” a forma do pensamento dialético. Infelizmente, os fatos muitas vezes desmentem a teoria e muitas vezes a síntese resultante é um retrocesso, apontando para a involução ao invés da evolução.
Em termos políticos, essa idéia cria um determinismo inerente à história da humanidade e estaríamos, então, marchando para uma resolução das contradições da sociedade. Esta idéia dos políticos de esquerda possui o viés messiânico das religiões; Há a luta entre os contrários, mas tudo caminha para um fim que não é um fim, porém um inicio, para uma sociedade perfeita: o paraíso onde todos seriam bons e justos e todos teriam igualdade. Seria a síntese histórica da luta entre o capital e o trabalho. Apenas basta retirar Deus da equação e colocar ali o estado, ou acima dele Marx, cujos livros seriam as novas bíblias.
Na verdade, apesar da validade da análise dialética em vários seguimentos das ciências, inclusive na história, nem tudo caminha para a síntese neste mundo que não é o mundo do personagem de Voltaire em “Cândido” , onde o Sábio contrapõe, brilhantemente, ingenuidade e esperteza, desprendimento e ganância, caridade e egoísmo, delicadeza e violência, amor e ódio. Tendo como plano de fundo a sociedade do Séc. XVIII, retrata um mundo extremamente cruel e materialista.
Cândido é acompanhado a todo momento pelo filósofo, Dr. Pangloss, uma caricatura do filósofo Leibniz e de suas teorias extremamente otimistas onde tudo ; "É tudo para o melhor no melhor dos mundos possíveis". A ironia final de “Cândido” é que o personagem central, que inicia o conto rico e amado e termina pobre e órfão dizendo ao filósofo que está cantando as loas do mundo: "Tudo isso está muito bem, mas é necessário cultivar o nosso jardim".
Digo estas coisas com o pensamento na decisão do supremo de liberar a marcha da maconha, o que entra em fragrante contradição com o artigo 289 do código penal e proíbe a apologia às drogas. Nenhum dos senhores do supremo procurou usar argumentos jurídicos em suas alegações, mas dizeres ditados e o lirismo cabível à Academia Brasileira de Letras. Um dos ministros chega até a interrogar; “ o que é droga?? Café é droga? Cigarro é droga? Cerveja é droga?”. Creio eu que não são assim tipificados nas leis, mas quem sou eu para contradizer o ministro Lewandowisk??
Enquanto todos estiverem em suas marchas (que mal reuniu 5 mil pessoas em um país de 190 milhões), mostrando que os maconheiros (ou ervo-afetivos) têm mais apoio no senado(com mais de 5 mil funcionários) que na sociedade, pais, autoridades responsáveis e povo em geral estará dizendo às autoridades: “ tudo isto está muito bem, mas é necessário cultivar o Jardim” . Afinal, alguém tem de trabalhar enquanto outros marcham.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O GLOBO
Entrevista

Professor de Ética e Filosofia da USP afirma que o vice Michel Temer é hoje o mais forte que o país já teve

Publicada em 11/06/2011 às 19h49m
Gilberto Scofield Jr
SÃO PAULO - Para o professor de Ética e Filosofia Política da Universidade de São Paulo Renato Janine Ribeiro, o problema de articulação política da presidente Dilma não acabou. Ele diz que o vice-presidente Michel Temer - "o mais forte que o Brasil já teve" - fica mais poderoso diante de três mulheres (Dilma incluída) com perfis parecidos: pouco maleáveis para a tarefa de reunir interesses tão dispersos quanto os da base aliada, especialmente com o PT dividido.
O que as mudanças no Ministério dizem sobre o futuro do governo Dilma?
RENATO JANINE RIBEIRO: Apesar de a presidente ter se livrado de Palocci - que de ativo do governo virou um passivo -, os últimos movimentos políticos estão muito desencontrados para se garantir que a questão da falta de articulação política, subproduto da saída de Palocci, está resolvida. Tanto Ideli quanto Gleisi têm perfis parecidos com o de Dilma. As trajetórias delas mostram mulheres com pouca flexibilidade e pouca malícia para lidar com astros políticos tradicionais, que se movimentam de forma muito solta, o que não é bom para o governo. Nem a base aliada conhece a ministra Gleisi Hoffmann, e Ideli é criticada até no PT. Parece que a articulação política tem que ficar mesmo nas mãos de Dilma. Mas a deficiência central continua a mesma.
Qual a deficiência central?
RIBEIRO: A maior ameaça a Dilma não está na oposição, mas na figura de Michel Temer, o vice-presidente mais poderoso e influente que o Brasil já teve. Ele vem crescendo na capacidade de manter a coesão no saco de gatos que é o PMDB, principal base do governo no Congresso, satisfazendo seus líderes. Mesmo Sarney e Itamar, quando vices, eram inexpressivos, e talvez João Goulart tenha tido importância no tempo em que foi vice de JK. Mas com uma bancada parlamentar e um grupo de governadores do PMDB quantitativamente significativos, ainda que dispersos na busca de seus interesses, Temer se mostra um experiente articulador. Administrar a base é um ponto fraco do governo Dilma, com um agravante: não ouço a presidente tentando convencer a população sobre o que ela acha que são as prioridades do Brasil. É fundamental para neutralizar a pressão do Congresso.
'A saída é ela assumir o papel de formuladora'
O governo tem um problema de comunicação?
RIBEIRO: Lula e Fernando Henrique, cada qual a seu modo, neutralizaram a dependência do Congresso ao conseguirem convencer diretamente a população da conveniência de suas políticas: no caso de FH, a estabilização econômica, a responsabilidade fiscal e o tamanho do Estado; e, no caso de Lula, a inclusão social com ganhos de renda e as vantagens do alinhamento Sul-Sul. Os dois eram capazes de fazer uma articulação política além do Parlamento, envolvendo sociedade e movimentos sociais e convencendo-os de que suas propostas eram úteis e convenientes ao país. É um trabalho de comunicação incrível. A atuação presidencial hoje é tanto política quanto midiática.
A presidente não faz isso?
RIBEIRO: Este é o problema dos chefes gestores, definição na qual se inclui o ex-candidato José Serra: alguém que faz as coisas acontecerem. É pouco porque não traz em si uma definição política. O risco do líder gerente é que ele abre um espaço de articulação política preenchido por terceiros. Como vem fazendo o Temer, que entrou em choque com Palocci desde o início do governo Dilma. O vice pode ser isolado, não demitido. Temer conseguiu reunir peemedebistas contra a Dilma na votação do Código Florestal e a favor do governo na votação do salário mínimo. Tudo fica pior num momento em que o próprio PT se encontra tão dividido.
Qual seria a saída?
RIBEIRO: A saída é Dilma assumir o papel de formuladora política e se sobrepor a um vice poderoso se dirigindo à sociedade. Nem chega a ser difícil diante de um governo de continuidade, mas todo mundo percebeu que muitos programas do governo Lula precisam de ajustes. Quando se percebe que um beneficiado do programa ProUni anda de carro importado, é ruim. Falta a presidente assumir um projeto de nova utopia. A discussão política hoje é fraca, voltada a um discurso de moralização que não se materializa.
Qual a consequência disso?
RIBEIRO: A consequência é que a persona política da presidente cedeu lugar à persona biológica quando se fala de Dilma Rousseff. Antes do escândalo Palocci, a discussão girava em torno da saúde da presidente. O tema é importante, mas não pode ser a grande discussão do país e só é assim, dado que a saúde dela vai bem, porque sua persona política não tem relevância.
E como fica a oposição?
RIBEIRO: Falar sobre fragilidade da oposição é pouco. Estão muito perdidos. O líder mais expressivo do PSDB, o senador Aécio Neves, não parece capaz de liderar uma bancada incapaz de aproveitar o momento em que o ex-presidente Fernando Henrique parece se aproximar dos jovens e insiste em alianças com setores conservadores de olho no eleitorado evangélico e carismático. Votou maciçamente por esta excrescência que é a reforma do Código Florestal, se afastando dos eleitores verdes.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/06/11/professor-de-etica-filosofia-da-usp-afirma-que-vice-michel-temer-hoje-mais-forte-que-pais-ja-teve-924666243.asp#ixzz1P9JtWGvn
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Fim da árvore genealógica

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Luiz Fernando Veríssimo



Vai ser avó de quem?

Mãe, vou casar!

Jura, meu filho ?! Estou tão feliz ! Quem é a moça ?
Não é moça. Vou casar com um moço.. O nome dele é Murilo.

Você falou Murilo... Ou foi meu cérebro que sofreu um pequeno surto psicótico?
Eu falei Murilo. Por que, mãe? Tá acontecendo alguma coisa?
Nada, não... Só minha visão que está um pouco turva. E meu coração, que talvez dê uma parada. No mais, tá tudo ótimo.
Se você tiver algum problema em relação a isto, melhor falar logo...
Problema ? Problema nenhum. Só pensei que algum dia ia ter uma nora... Ou isso.
Você vai ter uma nora. Só que uma nora.... Meio macho.
Ou um genro meio fêmea. Resumindo: uma nora quase macho, tendendo a um genro quase fêmea... E quando eu vou conhecer o meu. A minha... O Murilo ?
Pode chamar ele de Biscoito. É o apelido.
Tá ! Biscoito... Já gostei dele.. Alguém com esse apelido só pode ser uma pessoa bacana. Quando o Biscoito vem aqui ?
Por quê ?
Por nada. Só pra eu poder desacordar seu pai com antecedência.
Você acha que o Papai não vai aceitar ?
Claro que vai aceitar! Lógico que vai. Só não sei se ele vai sobreviver.. . Mas isso também é uma bobagem. Ele morre sabendo que você achou sua cara-metade. E olha que espetáculo: as duas metade com bigode.
Mãe, que besteira ... Hoje em dia ... Praticamente todos os meus amigos são gays.
Só espero que tenha sobrado algum que não seja... Pra poder apresentar pra tua irmã.
A Bel já tá namorando.
A Bel? Namorando ?! Ela não me falou nada... Quem é?
Uma tal de Veruska.
Como ?
Veruska...
Ah !, bom! Que susto! Pensei que você tivesse falado Veruska.
Mãe !!!...
Tá.., tá..., tudo bem...Se vocês são felizes. Só fico triste porque não vou ter um neto ..
Por que não ? Eu e o Biscoito queremos dois filhos. Eu vou doar os espermatozóides. E a ex-namorada do Biscoito vai doar os óvulos.
Ex-namorada? O Biscoito tem ex-namorada?
Quando ele era hétero... A Veruska.
Que Veruska ?
Namorada da Bel...
"Peraí". A ex-namorada do teu atual namorado... E a atual namorada da tua irmã . Que é minha filha também... Que se chama Bel. É isso? Porque eu me perdi um pouco...
É isso. Pois é... A Veruska doou os óvulos. E nós vamos alugar um útero...
De quem ?
Da Bel.
Mas . Logo da Bel ?! Quer dizer então... Que a Bel vai gerar um filho teu e do Biscoito. Com o teu espermatozóide e com o óvulo da namorada dela, que é a Veruska.
Isso.
Essa criança, de uma certa forma, vai ser tua filha, filha do Biscoito, filha da Veruska e filha da Bel.
Em termos....
A criança vai ter duas mães : você e o Biscoito. E dois pais: a Veruska e a Bel.
Por aí...
Por outro lado, a Bel....,além de mãe, é tia... Ou tio... Porque é tua irmã.
Exato. E ano que vem vamos ter um segundo filho. Aí o Biscoito é que entra com o espermatozóide. Que dessa vez vai ser gerado no ventre da Veruska... Com o óvulo da Bel. A gente só vaitrocar.
Só trocar, né ? Agora o óvulo vai ser da Bel. E o ventre da Veruska.
Exato!
Agora eu entendi ! Agora eu realmente entendi...
Entendeu o quê?
Entendi que é uma espécie de swing dos tempos modernos!
Que swing, mãe ?!!....
É swing, sim ! Uma troca de casais... Com os óvulos e os espermatozóides, uma hora no útero de uma, outra hora no útero de outra.....
Mas...
Mas uns tomates! Isso é um bacanal de última geração! E pior... Com incesto no meio..
A Bel e a Veruska só vão ajudar na concepção do nosso filho, só isso...
Sei !!! ... E quando elas quiserem ter filhos...
Nós ajudamos.
Quer saber ? No final das contas não entendi mais nada. Não entendi quem vai ser mãe de quem, quem vai ser pai de quem, de quem vai ser o útero,o espermatozóide. .. A única coisa que eu entendi é que...
Que.... ?
Fazer árvore genealógica daqui pra frente... vai ser foda.

* (Luiz Fernando Veríssimo)

A EVOLUÇÃO E ATUAL CONDIÇÃO DA MULHER

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011


Mais uma contribuição de Decicote, que apesar de já ser "de casa", insiste em não postar ele mesmo... Um belo e lúcido texto, que deixo para a apreciação de vocês.

Assim eu vejo a vida
A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande
sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão
desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.
Cora Coralina
Apesar das dezenas de artigos que cantam as glórias dos novos tempos em que mulheres conquistam seu lugar ao sol, creio que o termo reconquista seria bem mais condizente com a realidade. Desde o século XIX antropólogos e até um eminente teórico do socialismo moderno, acolheram as idéias de Darwin que defenderam a existência, num tempo remoto da humanidade, o sistema do matriarcado, uma organização social inteiramente dominada por mulheres. A hipótese matriarcal surgiu em 1861, quando o suíço Johann Bachofen sugeriu a existência de sociedades matriarcais na pré-história. Suas idéias influenciaram fortemente antropólogos e arqueólogos no final do século XIX e no começo do século XX. Em várias outras sociedades, como os celtas na Bretanha, a mulher tinha um papel fundamental, ela era muito valorizada e não existia qualquer tipo de preconceito.
A evolução da sociedade no formato atual se deu justamente por questões ligadas à economia; as mulheres dominavam a vida dos agrupamentos humanos no inicio da sociedade. Ela gerava filhos e era a principal provedora, pois era coletora. Enquanto os homens antigos podiam sair para caça e nada trazer durante dias, era a mulher que cuidava da alimentação de toda a tribo. Especula-se que foi dessa forma, trazendo grãos para a caverna, que foi descoberta a agricultura, pois os restos brotavam onde eram deixados. Observando isso passaram a fazer experiências. Também, certo ar de sagrado rondava as mulheres. Tudo na natureza o qual o ser humano reverenciava compunha-se de ciclos. O ciclo diário do nascer do sol, as estações, as estrelas no ceu que pareciam andar e voltar ao inicio após determinado tempo, e o misterioso ciclo da mulher. Também o sangue era sagrado por representar a vida, e ele estava presente nos ciclos mensais das mulheres. Nada mais natural que a mulher ser vista como um ser divino, ou com uma ligação especial com o divino e o espiritual, conforme escreve em “As Máscaras de Deus” o cientista Joseph Campbell. Nesta época o que existia era uma diferente dimensão do divino – que se configura, então, principalmente na concepção da Deusa-Mãe – estreitamente vinculada aos ritos do par dicotômico fecundidade-morte, para o homem algo divino e misterioso. De acordo com os modernos antropólogos, a disputa dos homens pela caça chegou ao estágio de conquistas e guerras. Como o homem passou a deter o poder econômico através das armas e da herança, as mulheres foram então, destronadas e toda uma ideologia machista passou a imperar como uma forma delas não voltarem ao poder.

De certa forma esse pensar perdurou até as grandes guerras, onde pela grande mortandade dos homens, a necessidade deles para bucha de canhã,o levou aos industriários a ideia de fazer as mulheres trabalharem, transformando isso em um esforço patriótico. Foi como uma volta ao passado, enquanto os homens brincavam de guerra, as mulheres voltaram a carregar o fardo do sustento. Ao fim das guerras, os homens voltavam para casa e encontravam uma mulher diferente. Muitos não gostavam. Mas os mais espertos perceberam como era bom ter um salário extra em casa e ainda as mulheres continuavam a cuidar da casa quando voltavam da jornada na fabrica, onde ganhavam menos e pegavam os trabalhos piores.

As mulheres começaram a ter consciência de seu valor e as grandes lutas femininas começaram, culminando no que a sociedade é hoje; ainda excessivamente machista, mas com bem mais chances das mulheres chegarem onde querem. Alias muita das grandes personalidades em todas as áreas do conhecimento humano são mulheres e dia virá em que elas não terão de se humilhar por salários menores para os mesmos cargos que os homens. Mas não é só no mundo do conhecimento e dos negócios que as mulheres tem mostrado sua força. Grandes partes das conquistas se devem as mulheres que foram para a política, como Hillary Clinton. Ela se destacou como senadora e ganhou vida política própria, sem depender do marido. Ainda nos Estados Unidos, temos Condoleezza Rice, que também se destacou. Na Alemanha Ângela Merkel foi a primeira a chefiar o governo do país. Na Libéria, Helen Sirleaf foi a primeira mulher eleita Presidente na África; formada em Administração na universidade de Harvard, foi diretora do Banco Mundial é chamada de “Dama de Ferro”. Tivemos também Margareth Thacher na Inglaterra e Ellen Gracie no Brasil e a Senadora Kátia Abreu..

Atualmente, o perfil das mulheres é muito diferente do apresentado no começo do século. Além de trabalhar e ocupar cargos de responsabilidade assim como os homens, ela ainda realiza as tarefas tradicionais como a de ser mãe, esposa e dona de casa. Trabalhar fora de casa é uma conquista relativamente recente para as mulheres. Ganhar seu próprio dinheiro, ser independente e ainda ter sua competência reconhecida é motivo de orgulho para todas. Porém, observa-se que elas já provaram que além de ótimas donas de casa, podem ser também boas motoristas, mecânicas, engenheiras, advogadas. Já está mais do que provado que as mulheres são perfeitamente capazes de cuidar de si, de conquistar aquilo que desejam e de provocar mudanças profundas no decorrer da história da humanidade. É a retomada de sua vida e história, a reconquista!!!

Libertas Quae Sera Tamen

domingo, 20 de fevereiro de 2011


Desde os primórdios da evolução, o ser humano busca e anseia por liberdade. E liberdade, hoje em dia, tornou-se uma palavra desgastada e explorada em todos os seus limites e sentidos possíveis.
Mas o que nos faz livres, realmente?

Na mídia, a liberdade é explorada como expressão de consumo, encaixando-se na cultura de massa. Então, nos deparamos com a liberdade do cartão de crédito, que permite consumir um produto que está na moda, ou simplesmente, a liberdade de obter realizações pessoais, materiais e de status, porque na ideologia burguesa a liberdade “cabe no seu bolso”. Somos educados para acreditar que a liberdade está associada ao dinheiro e dele depende.
Essa “liberdade” faz parte de uma realidade fantástica, alimentada pela sociedade capitalista. O mercado direciona o consumo e o determina, com algumas variações de gostos, padrões, tipos. Dessa forma, existe um consumo massificado, mascarado por um discurso individualista, que faz com que as pessoas se sintam diferentes, consumindo o mesmo que todos os outros e se considerem absolutamente livres em suas escolhas individuais. Um condicionamento patético da sociedade burguesa, que educa o indivíduo, que nasce essencialmente diferente, a seguir estereótipos e se projetarem símbolos, tornando-o o verdadeiro “produto”, que é moldado e trabalhado para consumir dentro dos segmentos da produção industrial e do varejo, de acordo com as tendências exploradas pela mídia.

Na verdade, a “liberdade”de consumo é uma grande farsa, que alimenta a desigualdade. É a liberdade individual e egoísta daqueles que podem satisfazer seus desejos sem se importar se os outros podem fazer o mesmo. Essa lógica de raciocínio pressupõe não só desigualdade, mas a exploração, sendo que existe apenas a “liberdade” de alguns, em detrimento de outros. E, num sistema de exploração, domínio, escravidão e desigualdade, não pode haver liberdade de qualquer indivíduo que seja. Existe apenas a ilusão da “livre escolha” dentro de modelos predeterminados e estabelecidos, que seguem uma rotina de exclusão social.

Da mesma forma que a liberdade de consumo, a liberdade liberal burguesa também se mostra como um embuste. Nos leva a crer que somos livres ao exercermos a chamada “cidadania”. Mas o que é a cidadania, senão um jargão da esquerda em que o indivíduo para ser cidadão deve se tornar uma engrenagem da “máquina social”? O estado e suas instituições cuidam do “social”, enquanto ao povo, cabe apenas trabalhar e saber em que ocasiões e onde, ele deve e pode opinar.
Sob este aspecto, ser livre é ter o direito de ser uma peça útil para a grande engrenagem do capital, enquanto a economia, a justiça, os serviços sociais e a moral são regulamentados e controlados pelo estado. Então, na visão liberal burguesa, somos cidadãos e “livres”, na medida em que produzimos, consumimos e obedecemos às leis do estado.

“(...)A liberdade política significa que a “polis”, o Estado são livres; a liberdade religiosa, que a religião é livre; a liberdade de consciência, que a consciência é livre e não que eu seja livre do Estado, da religião e da consciência, ou que eu tenha me livrado disso tudo. Não se trata de minha liberdade, mas daquela de uma potência que me domina e me subjuga: um de meus tiranos – o Estado, a religião, a consciência – é livre, um desses tiranos que fazem de mim seu escravo, de tal modo que sua liberdade é minha escravidão.” (Stirner, Max Stirner e o Anarco Individualismo, pg 50)

No liberalismo, limita-se a liberdade à do outro indivíduo, como se fosse uma propriedade privada. Toda responsabilidade de julgamento e determinação, cabe ao estado, que afasta, assim, a responsabilidade de decisões das pessoas. Cada indivíduo deve apenas desempenhar seu papel como cidadão, o que não inclui a liberdade de decisão sobre o seu destino.

Podemos concluir, então, que na democracia liberal burguesa, a chamada "limitação da liberdade" nada mais é do que a ausência da mesma. Nós, brasileiros, nascemos dentro desse sistema ee nele fomos criados. Qualquer um que ouse renunciá-lo, sofre todo tipo de perseguição, repressão e difamação pelo estado para que não se torne um exemplo. É um grande risco para quem quer manter um sistema e uma estrutura social por imposição, que surjam elementos contestatórios de sua veracidade e funcionabilidade.

A liberdade pura não se limita e nem se vincula a modelos e sistemas. É a busca de quem quer ouvir e ser ouvido, de decidir e ter responsabilidade sobre o que decide, de criar e viver conforme princípios estipulados coletivamente, sem imposições ou dominação sobre o outro. Ser livre é estarmos conscientes de tudo que fazemos e das consequências que incidem sobre a sociedade. Ser livre é não necessitar de líderes, porque cada indivíduo é suficientemente responsável para ser o seu próprio líder.

“A liberdade é o direito absoluto de todo homem ou mulher maiores de só procurar na própria consciência e na própria razão as sanções para seus atos, de determiná-los apenas por sua própria vontade e de, em conseqüência, serem responsáveis primeiramente perante si mesmos, depois, perante a sociedade da qual fazem parte, com a condição de que consintam livremente dela fazerem parte.” (Bakunin, Textos Anarquistas, pg.74).